Desde a adolescência, quando começou a praticar ioga, Bela Gil viu nos alimentos saudáveis uma forma de saciar a fome do corpo e da alma. A convivência com o pai, o cantor Gilberto Gil,
que adotou a culinária macrobiótica há muitos anos, não interferiu em sua escolha. Seus hábitos foram modificados naturalmente e, com o tempo, alimentos industrializados já não faziam parte de sua dieta. Foi em uma temporada em Nova York, nos Estados Unidos, que Bela descobriu sua paixão pela culinária natural. Hoje ela se destaca como uma das principais incentivadores da alimentação saudável no Brasil.

Imagem: Bela Gil. Fotos: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

Bela Gil. Fotos: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

 

Através do programa Bela Cozinha, no GNT, ganha visibilidade e conquista um público cativo. Nos episódios semanais, Bela recebe convidados famosos da televisão e da música, como a atriz Glória Pires e a cantora Ivete Sangalo, e ensina que trocar produtos industrializados pelos frescos faz toda a diferença. De quebra, oferece ao telespectador dicas imperdíveis sobre os valores nutricionais dos alimentos que utiliza em suas receitas doces e salgadas, desde a entrada até a sobremesa. Isso tudo em uma cozinha colorida e bem equipada que aguça os olhos e incentiva até mesmo quem não é acostumado com as panelas. Bela torna tudo tão prático que a mudança de hábitos parece até mais fácil. Nessa entrevista Bela Gil fala sobre alimentação natural, mas também revela um pouco de sua vida pessoal.

 

Como era a sua alimentação na infância? Tomava refrigerantes, comia bolachas recheadas e todos esses produtos industrializados que a maioria das crianças gosta? 

Eu comia sim, mas isso não era uma rotina na minha vida. Sempre almocei e jantei comida de verdade. Tinha refrigerante em casa, mas nunca dei muita bola. Comia biscoito recheado, não tinha
proibição desses produtos em casa. Eu gostava de salada, mas também comia hambúrguer com batata frita com meus amigos.

 

Por que você escolheu Nova York para morar e estudar culinária natural?

Eu fui para Nova York com 18 anos, mas sem a pretensão de estudar o universo da culinária, foi para estudar inglês. Chegando lá e tendo que cozinhar a minha própria comida, optei por fazer um curso de culinária natural e depois fiz o curso de Nutrição e Ciência dos Alimentos na Hunter College.

 

Como surgiu a ideia do Bela Cozinha? Foi um convite ou você tinha esse desejo de ter o seu próprio programa de TV?

Retornei ao Brasil após um convite para apresentar o programa. Larguei o mestrado que estava começando lá e vim. Eu nunca imaginei ter um programa, mas como é um assunto que eu gosto,
acho que deu certo.

 

No programa você ensina receitas com ingredientes naturais em substituição aos industrializados. Como tem sido o feedback do público com relação a essa proposta de mudança?

Tem sido bom, as pessoas têm gostado, elas querem aprender sobre os valores nutricionais dos ingredientes. É um desafio modificar os hábitos alimentares, mas muitos têm buscado esse novo padrão.

 

Você é adepta da alimentação Ayurvédica. Que benefícios ela traz para a saúde?

A Ayurveda proporciona o autoconhecimento, faz as pessoas se conhecerem melhor e saberem o que faz ou não faz bem para elas. Acho importante esse aprendizado para ganhar independência e liberdade no sentido de entender como o corpo funciona, quem somos e que tipo de alimentos nos fortalece.

 

Um dos seus focos é a alimentação infantil. De que forma os pais podem inserir, sem radicalismos, alimentos saudáveis na rotina das crianças?

Eu acredito que uma alimentação saudável não precisa ser sinônimo de radicalismo. Comer comida de verdade, oferecendo frutas e legumes, não comprando industrializados ultraprocessados,
como salgadinhos e biscoitos recheados, não é questão de radicalismo. É aprender a viver melhor, com mais qualidade de vida. Isso é uma escolha benéfica para a saúde, uma questão de
educação. A gente ensina às crianças a falarem “obrigada” e “com licença”, mas não ensina a pedirem água no lugar do refrigerante. É preciso ter prioridades e entender que alimentação também é
educação. A melhor forma de inserir os alimentos saudáveis na rotina das crianças é dando o exemplo dentro de casa.

Imagem: Bela Gil hoje se destaca como uma das principais incentivadoras da alimentação saudável no Brasil. Fotos: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

Bela Gil hoje se destaca como uma das principais incentivadoras da alimentação saudável no Brasil. Fotos: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

 

A sua filha Flor, de 7 anos, e o seu marido João Paulo são adeptos da culinária naturalista?

Em casa todos temos o mesmo estilo alimentar, o que ajuda bastante porque eu não queria ficar escondendo alimentos da minha filha e do meu marido. Acredito que quando a família come os
mesmos tipos de alimentos, é melhor.

 

Se você tivesse que dar dicas simples para quem quer começar a inserir a alimentação saudável na sua rotina, quais seriam?

A principal dica para uma alimentação saudável é largar os produtos industrializados e ultraprocessados dos supermercados pelos produtos frescos e locais das feiras. É dessa maneira que se começa a comer comida de verdade. Se não temos produtos com muita gordura, açúcar e sal em casa, a gente acaba não tendo muita escolha e comendo bem. Trocar os refinados pelos integrais, respeitar o corpo, saber  a hora de comer e conseguir entender a diferença entre fome e vontade de comer. Essas mudanças são importantes para uma reeducação alimentar.

 

Além da alimentação, é importante manter atividades físicas regulares. Além da ioga, que outras você pratica?

Pratiquei ioga por muito tempo e parei por causa de um problema no joelho. Hoje, faço os cinco tibetanos quase que diariamente, que são cinco exercícios da ioga, mas repetidos 21 vezes cada um. Traz muitos benefícios para o meu corpo e a minha mente. Também pratico meditação, costumo correr e ir à academia às vezes.

 

Qual a proposta do Spa da Bela?
É um spa itinerante que eu faço para um grupo de pessoas que querem cuidar da saúde, do corpo e da mente. Dou palestras, convido especialistas para falar sobre alimentação natural, como médicos e jornalistas. Tem massagem, exercícios funcionais, hidroginástica. É um spa bem bacana. O lugar onde é realizado varia. Se alguém do grupo de inscritos tem uma casa ideal para receber, em qualquer lugar do Brasil, faço lá. Outras vezes, acontece na casa dos meus pais, em Araras, região serrana do Rio. É um grupo bem selecionado, que varia entre 10 e 15 inscritos, com tratamento individualizado. As pessoas gostam porque veem bastante resultado.

 

Você ministra aulas de culinária por todo o Brasil. Em qual Estado ou cidade notou uma maior conscientização alimentar? 

No Paraná existe uma conscientização maior com relação a saúde e alimentação saudável. Têm restaurantes bem legais, incentivos de políticas públicas para a produção de orgânicos e utilização de produtos de pequenos produtores nas merendas das escolas. Eles são mais conscientes nesse sentido.

 

Quais são as atividades que te dão prazer fora da cozinha?

Sou caseira e estudiosa. Gosto de ficar em casa lendo, pesquisando, estudando. Assisto a um filme, brinco de pintar com minha filha e medito. Isso tem sido parte da minha rotina.

 

Você viaja com frequência para o exterior? De qual país é a culinária que mais te agrada?

Gosto bastante de viajar, mas não viajo tanto para o exterior como eu gostaria porque o trabalho não permite. Estou conhecendo lugares interessantes no Brasil. Fui para a Amazônia em abril e a experiência foi muito rica. Em relação à culinária mundial, gosto da indiana.

 

Nas horas vagas ou nas reuniões em família você também canta?

Não canto de jeito nenhum. Acho que é a única coisa que eu não consigo fazer! Gostaria de ter nascido com dois dons, o de cantar e o de desenhar, mas não consigo fazer nenhuma das duas coisas bem. Então, prefiro não cantar, principalmente em família, porque acaba sendo motivo de chacota.

Imagem: No programa Bela Cozinha, do GNT, a apresentadora recebe convidados famosos que experimentam suas receitas. Foto: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

No programa Bela Cozinha, do GNT, a apresentadora recebe convidados famosos que experimentam suas receitas. Foto: Daryan Dornelles/Bespoke Content.

 

Em pouco tempo você se tornou uma estrela da alimentação saudável no Brasil. O que mudou na sua vida depois da fama? 

Minha vida deu uma cambalhota para o bem. Estou fazendo um trabalho que gosto, estou feliz em apresentar o programa. Sobre a fama, acho que é consequência de um trabalho legal, que a gente goste, é um reflexo da minha mudança de vida, do meu objetivo, que é passar informação para um grande número de pessoas. Então, a fama me ajuda nesse sentido, não tenho do que reclamar
dela. Acho até divertido, me sinto honrada em sair na rua e ouvir as pessoas dizendo: “nossa, você mudou a minha vida!”, “perdi 30 quilos após começar a usar as suas receitas!”… Esses depoimentos felizes e de mudança me deixam contente.

 

Você tem envolvimento com projetos sociais e ambientais?

Tenho um projeto chamado Bela Infância, que leva alimentação saudável às escolas. Projetos ambientais ainda não, mas tento utilizar a alimentação como uma ferramenta ambiental, fazendo com que as pessoas escolham bem o seu próprio alimento, tentem entender de onde ele vem, quem produziu, se é orgânico ou não. Através da alimentação, tento ser ativa na questão ambiental e sustentável.

 

Você lançou melados com a sua marca, que é vendido em todo o país. Podemos esperar outros produtos?

Muitas pessoas me pediram o melado orgânico, por isso achei legal lançar junto com a marca Monama. Em breve, virão produtos novos, somente meus e também com parceiros.

 

No final de outubro, você lançou seu segundo livro de receitas. Qual a proposta dele?

O Bela Cozinha 2 traz algumas receitas imperdíveis da temporada especial de verão e da segunda e terceira temporadas do meu programa no GNT. O intuito é sempre introduzir uma alimentação mais saudável.

 

Você tem uma participação ativa nas redes sociais, principalmente no Instagram. Nesse universo virtual todos ficam expostos, principalmente personalidades que atingem o grande público, como você, e sujeitos a elogios e críticas. Como você lida com as críticas?

Essas críticas vazias do Instagram não me afetam em nada, não dou bola pra elas. Gosto de críticas construtivas, vindas de pessoas com fundamentos, com interesse, com vontade de construir um futuro melhor, de trocar ideias, experiências e que me incentivem a melhorar.

 

Por: Gabriela Morateli

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